O que são cálculos biliares?
Cálculos biliares são pequenas "pedras" que se formam dentro da vesícula biliar — um órgão localizado abaixo do fígado e responsável por armazenar a bile, um líquido que ajuda na digestão das gorduras. Essas pedras podem ter composição variada, sendo a maioria formada por colesterol. Em alguns casos, estão associadas a infecções ou alterações metabólicas.
Quem tem mais chance de desenvolver?
Alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver cálculos biliares. Entre os principais, estão:
- Sexo feminino
- Idade acima dos 40 anos
- Obesidade ou sobrepeso
- Gravidez
- Diabetes
- Uso de hormônios (anticoncepcionais ou reposição hormonal)
- Histórico familiar de cálculos
- Dieta rica em gordura e pobre em fibras
Quando os cálculos causam sintomas?
A maior parte das pessoas com cálculos na vesícula nunca apresenta sintomas. No entanto, quando os sintomas surgem, o mais comum é a cólica biliar — uma dor intensa e constante, geralmente no lado superior direito do abdômen, podendo irradiar para as costas ou ombro direito. Essa dor costuma ocorrer após refeições mais gordurosas e pode durar de 30 minutos a várias horas.
Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, sensação de inchaço e má digestão. Quando os cálculos causam inflamações ou obstruções, o quadro pode evoluir para complicações como:
- Colecistite aguda (inflamação da vesícula)
- Pancreatite (inflamação do pâncreas)
- Colangite (infecção das vias biliares)
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico costuma ser realizado por meio de ultrassonografia abdominal, um exame simples, indolor e altamente eficaz para detectar cálculos na vesícula. Em casos mais complexos, exames como tomografia ou ressonância magnética podem ser necessários.
Tratamento cirúrgico
Quando os cálculos causam sintomas, a recomendação é realizar a cirurgia de retirada da vesícula biliar, chamada colecistectomia. Atualmente, a técnica mais utilizada é a videolaparoscopia, um método minimamente invasivo, com pequenas incisões na parede abdominal e recuperação mais rápida.
Como é a cirurgia por videolaparoscopia?
Durante o procedimento, o cirurgião introduz uma pequena câmera e instrumentos delicados através de 4 incisões milimétricas no abdômen. A imagem da câmera é transmitida para um monitor, permitindo a remoção precisa da vesícula.
- Menor dor no pós-operatório
- Alta hospitalar mais rápida
- Retorno mais precoce às atividades cotidianas
- Menor risco de infecção
- Melhor resultado estético
Por que não esperar uma urgência?
É comum o pensamento de evitar a cirurgia uma vez que a crise de dor já passou. Entretanto, quando os sintomas já surgiram uma vez, as chances de novos episódios — e de complicações — aumentam. Estudos apontam que cerca de 70% dos pacientes que tiveram uma crise de cólica biliar voltarão a ter novos episódios dentro de dois anos.
A recorrência dos sintomas pode não ser apenas dor abdominal, mas apresentar-se com complicações como colecistite aguda, pancreatite ou infecção das vias biliares — quadros graves, com internação muitas vezes prolongada.
Nesses casos, a cirurgia costuma ser tecnicamente mais difícil e com maior chance de complicações. Por isso, a indicação cirúrgica em tempo oportuno é sempre mais segura.
E se a pessoa não tiver sintomas?
Para quem tem cálculos e nunca teve sintomas, a conduta costuma ser expectante — ou seja, apenas acompanhar com exames periódicos. É ideal explicar aos pacientes acerca dos sintomas que os cálculos podem ocasionar, para que procurem atendimento médico quando necessário.
A cirurgia só é recomendada preventivamente em situações específicas, como em pacientes com vesícula em porcelana, pólipos maiores que 1 cm, além de poder ser considerada também em cálculos muito grandes (acima de 2 cm).